TEOLOGIA FUNDAMENTAL – QUESTÕES INTRODUTÓRIAS

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TEOLOGIA FUNDAMENTAL – QUESTÕES INTRODUTÓRIAS

Mensagem por Admin em Ter Maio 17, 2016 1:12 am

I – Natureza da teologia fundamental

Trata-se de uma disciplina teológica recente. Aparece oficialmente por primeira vez na Constituição Deus Scientiarum Dominus, de Pio XI. Posteriormente é mencionada explicitamente no documento sobre a formação teológica dos futuros sacerdotes, do ano de 1976. Neste documento se afirma que «todas as matérias teológicas supõem como base do próprio procedimento racional a teologia fundamental, que tem por objeto de estudo o fato da revelação cristã e sua transmissão na Igreja; temas, estes, que estão no centro de toda problemática sobre as relações entre razão e fé».

Com a Constituição Apostólica Sapientia Christiana (nova regulação dos estudos eclesiásticos), a teologia fundamental aparece como uma das disciplinas obrigatórias, depois da Sagrada Escritura, e se especifica seu objeto: «a Teologia Fundamental, com referência às questões sobre o ecumenismo, as religiões não cristãs e o ateísmo».

Apesar de uma denominação mais recente, a Teologia Fundamental lança suas raízes como disciplina teológica na Apologética, por isso o estudo que estamos iniciando tem presente esta relação da mesma com a Apologética.

A) Gênese histórica da Teologia Fundamental

A apologética surge como disciplina teológica nos séculos XVII e XVIII. Além dessa raiz histórica ela é fruto também do dinamismo da própria fé no sujeito que crê, que o leva a colocar-se perguntas e a procurar respostas que podem ser consideradas como o germe do que mais tarde será a Teologia Fundamental.

Origem real e histórico

A origem da Teologia fundamental pode ser considerada, portanto, como origem real e histórica. Desde o ponto de vista da sua origem real, a teologia fundamental é resultado da pergunta do crente sobre o seu próprio ser e sua situação de crente; ou seja, pelo significado da revelação de Deus e da fé com a qual o homem responde, assim como pela integração da revelação e da fé na estrutura do espírito humano. Neste sentido a teologia fundamental acaba sendo uma reflexão sistemática e científica a partir de uma atitude espontânea que, de uma maneira ou outra, surge em todo crente. Trata-se da atitude teológica básica: a fé que procura entender (fides quaerens intellectum), ou se se prefere, da inteligência do crente que se pergunta por si mesma, que se faz reflexiva na tentativa de integrar o que sabe e o que crê.

Por isso a teologia fundamental tende, desde o início, ao diálogo, mas um diálogo que, em princípio, pode iniciar-se tendo o sujeito como interlocutor o seu próprio espírito no qual a fé e a razão se relacionam, interrogam-se mutuamente, precisam seu alcance e tendem a uma ação e resultado conjunto. Esta é a fase constitutiva do intellectus fidei, da inteligência da fé na que confluem o exercício da razão e da fé.

Porém o cristão não vive uma fé individual nem só interior. A existência humana está formada de interioridade e exterioridade, dimensão pessoal e social, pensamento e ação, tempo e eternidade, e com todas essas dimensões o homem se sente em relação necessária. Ademais sabe que a fé é anúncio da salvação ao qual estão chamados todos os homens. Deste modo, a fé adquire necessariamente dimensão social e apostólica (missionária, evangelizadora) que se dirige também aos que não participam da mesma fé. Com isso, o diálogo fé e razão, iniciado na própria reflexão do crente, prolonga-se no diálogo com o outro. Este diálogo começa com o anúncio de Cristo, mas chega um momento em que se deve responder às questões que «o outro» coloca. Pouco a pouco se descobre a necessidade de dar razões da esperança (1 Pd 3, 15) .

Quanto à origem histórica, falamos de teologia fundamental não só porque a partir do século XIX – e plenamente no XX – este nome tenha substituído o de Apologética; não se trata somente de uma mudança de nome, mas de orientação e compreensão de sua tarefa que tem lugar neste tempo, motivada pela evolução da cultura, da ciência e do pensamento filosófico e teológico. Nesta nova situação, o ciclo da Apologética ficou esgotado, e apareceu então algo que continuava o esforço daquela, mas que ao mesmo tempo era diferente, esta era a Teologia Fundamental.

A necessidade de definir logo a identidade da própria disciplina fez com que durante um tempo os teólogos fundamentais guardassem algum receio diante de tudo que pudesse ser considerado como apologética. De todos os modos, depois deste certo distanciamento, a Teologia fundamental contemporânea retorna de uma ou outra forma à problemática apologética. Por isso, é essencial conhecer a história da Teologia Fundamental que, até muito tarde, não é diferente da história da Apologética.

Tarefa para casa: Ver o vídeo a seguir e escrever um comentário de no máximo 10 linhas sobre o que entendeu por teologia.



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